STANDY-BY

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O Brasil vive um momento de expectativa marcado pela incerteza política e pela implementação de novas medidas econômicas que possam fazer o país voltar a crescer.

Por Bruna Cavalcanti

Existe um consenso de que economia e política sempre andam juntas. Nesse sentido, a recuperação de uma não poderia vir sem estar acompanha de uma melhora da outra. Essa teoria, de certa maneira, tem sido a única certeza que permeia o Brasil desde 2013 – quando tiveram origem as primeiras manifestações sociais que culminaram com a perda de apoio a então presidente Dilma Rousseff. Em 2015, com o agravamento da crise política, o mercado brasileiro enfrentou uma das piores recessões da sua história com um produto interno bruto (PIB) de -3,8%. Esse dado negativo se repetiu em 2016, quando foi aprovado o impeachment de Dilma: -3,6% do PIB.

Agora, mesmo após a vitória do atual presidente Jair Bolsonaro (PSL), em outubro de 2018, o clima de incertezas continua em vigor. O sentimento de que a economia segue em standy-by foi con- firmado com a divulgação da variação de 0,4% do PIB brasileiro nesse 2o tri- mestre. Além disso, a publicação de um relatório do Goldman Sachs demonstra que o Brasil teve, desde o viés econômi- co, duas décadas perdidas relacionadas aos últimos 40 anos. E pior: para o banco de investimentos, dentro deste contexto, o país tardaria 87 anos em dobrar a sua renda real per capita.

O atual cenário brasileiro demonstra que o Brasil ainda passa por um momento bastante delicado marcado pelo pensamento do eterno retorno. Nesse sentido, a dúvida com o novo governo, causada pela sensação de paralisia política, retroalimentaria o mercado e influenciaria a estagnação econômica. No entanto, para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, o país vive uma nova fase em que se necessita, principalmente, de paciência, muito diálogo e respeito às instituições.

“É importante frisar que renovamos, praticamente, 50% dos membros do Con- gresso. Estamos em uma fase em que as pessoas estão esperando os efeitos e resultados reais das novas mudanças. Não podemos esquecer que estamos com mais de 13 milhões de desempregados e muitos outros que desistiram de procurar emprego. Precisamos olhar para a frente e avançar. Não é hora de falarmos em crises. Temos que fazer o Brasil dar certo”, afirma Skaf.

Diretor de uma Federação que re- presenta mais de 130 mil indústrias de diversos setores, Skaf alega que o mais importante nesse momento é a aprovação de reformas e de novas medidas econômi- cas que possam fazer com o país voltar a crescer. Para o empresário, o Brasil só terá futuro se forem realizadas as mudanças que o país necessita para voltar a crescer. Além disso, de acordo com Skaf, o setor produtivo brasileiro é estrangulado por um sistema tributário complexo e caro e que uma boa reforma teria um imenso potencial de destravar os investimentos, além de gerar emprego e renda.

“A Previdência hoje consome 52% de todo o orçamento do governo e, se nada for feito, em pouco tempo não teremos mais dinheiro para saúde, educação e segurança. Não podemos deixar que o país chegue nessa situação. Se nada for feito, em 15 anos, 100% do orçamento será des- tinado para pagar aposentadorias e pen- sões e não sobrará dinheiro para saúde, educação, segurança”, destaca.

Divulgada pelo governo Bolsonaro desde o minuto zero, a Reforma da Previdência foi a sua principal proposta de campanha e é a medida econômica mais esperada por todo o mercado brasileiro. No entanto, a demora da aprovação da mesma, atrelada a outras disputas políticas no Congresso, tem causado preocupação, especialmente, por parte de diversos empresários e investidores.

ALÉM DA PREVIDÊNCIA

O mau desempenho da economia, pelo menos até o momento, não minou por completo a aceitação do mercado ao governo Bolsonaro, que ainda segue com um apoio significativo bastante importante. A última pesquisa realizada pela BTG Pascual, com mil empresários de diversos setores e segmentos (CEOs, presidentes, vice-presidentes, sócios-proprietários ou diretores gerais), constatou que 59% dos executivos aprovam a gestão do atual presidente brasileiro. Ou seja: um número considerado bastante relevante diante dos resultados da economia no último trimestre.

“O empresário brasileiro está interessado no desenvolvimento, crescimento, geração de emprego. O governo é muito novo e está tentando acertar. Neste momento, precisamos ter confiança no Brasil e trabalhar pela aprovação da reforma da Previdência e demais medidas que possam criar condições favoráveis ao país. Sem dúvida, a aprovação das reformas vai gerar uma reação forte de atração de investimentos. E é isso que precisamos. Pois se o país não vai bem, não vai bem a indústria, o comércio, a agricultura, não vai bem o emprego, ninguém”, afirmou Skaf.

A preocupação do presidente da Fiesp não é referente apenas com a Previdência. De acordo com ele, o país precisa de diversas outras ações e medidas para retornar o crescimento e sair da estagnação atual ao qual se encontra. “É urgente avançarmos no tema da reforma Tributária. Hoje, o setor produtivo é estrangulado por um sistema complexo e caro, e uma boa reforma, que corrija distorções que oneram desnecessariamente o produtor e os trabalhadores, terá um imenso potencial de destravar os investimentos e gerar emprego e renda”, pondera Skaf.

POLÍTICA EXTERNA

Em termos de política externa, o governo Bolsonaro tem adotado uma postura diferente a outras gestões. Além de estreitar laços com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se envolver em polêmicas bastante im- portantes como a do desmatamento da Amazônia, o presidente tem se afastado de parceiros econômicos estratégicos como China e Índia.

“Não podemos esquecer que o investimento americano no Brasil é histórico e que há uma proximidade bem entrelaçada entre os dois países. Por outro lado, não podemos esquecer também, que a relação comercial entre Brasil e China avança dia a dia, não só no agronegócio, mas em projetos na área de infraestrutura e com a continuidade da expansão”, finaliza Skaf.

Uma coisa é certa, até o momento – apesar de alguns setores já demonstrarem impaciência – o mercado tem esperado que as políticas econômicas de Bolsonaro prosperem. A pergunta seria: até quando?

2019-11-19T16:30:53+00:00

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