MULHERES QUE FAZEM FUNK – E DINHEIRO

//MULHERES QUE FAZEM FUNK – E DINHEIRO

MULHERES QUE FAZEM FUNK – E DINHEIRO

As cantoras de funk são agressivas, mas atraem mais a atenção das mulheres e ajudam a indústria musical a bombar outra vez.

Por Oso Oseguera
Ilustração por Guga Murrieta

Carolina de Oliveira Lourenço ouviu falar de feminismo pela primeira vez em 2015, pelo comentário de amigos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) daquele ano – uma das perguntas do exame tratava do tema. Ela tinha 22 anos e era uma estrela em ascensão no mundo do funk carioca, que ardia e se remexia com o som da música dos bailes nascidos nas favelas do Rio de Janeiro.

Um ano depois, MC Carol, como é conhecida hoje, lançou um single chamado 100% feminista. A letra fala da infância difícil da cantora: “Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia / Que mulher apanha se não fizer comida”. Foi um grande hit.

Mas, o sucesso não faz desaparecer os comentários detestáveis nas redes sociais sobre a aparência da cantora: “não é difícil ser mulher e cantar funk, ser negra e ser gorda”, diz MC Carol. “É difícil ser mulher, ponto”, determina.

A TECNOLOGIA AVANÇA – E A PERSPECTIVA DE LUCROS TAMBÉM

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o Brasil tem hoje 220 milhões de celulares em funcionamento – e 207,6 milhões de habitantes. Levando em consideração também os computadores e tablets, a expectativa é de um mercado de dois equipamentos portáteis, por cada brasileiro, já em 2019.

Essa é a base de um notável crescimento nos lucros da indústria musical brasileira de gravações, que cresceu 17,9%, em 2017, com um aumento de 64% nos lucros por transmissão (incluindo streaming).

Apesar da grave crise econômica e política – e também da ainda grande desigualdade social e do baixo poder aquisitivo da maioria da população – o Brasil conta hoje com um grande potencial para se transformar em um dos principais mercados musicais a curto prazo. De acordo com o Global Music Report, da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), em 2018, o país era já era o nono maior.

AS NOVAS GERAÇÕES DITAM AS NOVAS TENDÊNCIAS

De acordo com a Pesquisa Anual On-line, realizada pelos Produtores Fonográficos Associados (Pró-música), 55% dos jovens, de 12 a 15 anos de idade, afirmaram que a música funk brasileira é seu estilo musical favorito. O número se reduz a 28% no grupo de 16 a 24 anos – que também dizem gostar de música pop (28%) e de rock (26%). Já os brasileiros com mais de 25 anos preferem sertanejo, MPB e música gospel.

A indústria musical de gravações cresceu 17,9% no Brasil, entre 2017 e 2018, depois de 10 anos de queda – com alguns breves momentos de recuperação. O resultado está acima da média mundial, que é de 8,1%, e considera no cálculo as quatro principais formas de lucro desse mercado: digital, gravações físicas, apresentações em público e direitos de transmissão.

“Esse crescimento se deve principalmente ao desempenho do mercado digital, que em 2018 gerou US$178,6 milhões – 60,4% do total do mercado, contra 46,4% em 2017”, detalha a pesquisa.

Kamilla Fialho – cuja agência de marketing, a K2I, ajudou a moldar o início da carreira da cantora Anitta – compara o sucesso da agora estrela internacional com o de Beyoncé e Rihanna, que além de ativistas políticas fazem um grande alarde sobre seu poder sexual. A K2I agora ensaia uma nova promessa, a MC Rebecca, que toma aulas de inglês, entre outras. Kamilla não aconselha a jovem funkeira a deixar de falar de sexo: “quem quer música educadinha tem uma grande variedade de música clássica a disposição”, arremata.

2019-11-21T19:07:33+00:00

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