Muito além da embalagem

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Muito além da embalagem

O CEO da Tetra Pak, Marcelo Queiroz, mescla inovação e eficiência no comando da maior empresa em soluções de envase de alimentos.

Por Bruna Cavalcanti

Espírito empreendedor e sustentabilidade. Esses são os pilares que poderiam definir a Tetra Pak, empresa líder em soluções de processamento e envase de alimentos. Operando em 160 países, e com 40 fábricas espalhadas por todo o mundo, a empresa teve um faturamento, em 2018, de R$ 5,4 bilhões no Brasil. O segredo desse sucesso está no modelo de negócios da companhia, que mescla eficiência e inovação. 

Para o CEO da Tetra Pak no Brasil, Marcelo Queiroz, o triunfo da companhia se debe, entre outras coisas, ao fato de que a empresa é muito mais que apenas uma companhia dedicada à indústria alimentícia e ao mercado de embalagens. Com mais de 25 mil funcionários em todo o mundo, a Tetra Pak possui, no país, o seu segundo maior mercado de todo o mundo e oferece diversos recursos e serviços a um setor que é extremamente competitivo.

“Gostaria de esclarecer que a Tetra Pak não é apenas uma empresa de embalagem. Não fornecemos apenas este tipo de produto para o mercado de alimentos, mas também equipamentos. Além disso, cuidamos de todo o processo que é realizado, desde os serviços até as peças de reposição. Temos muito orgulho de ser uma empresa de ponta a ponta”, afirma Queiroz.

Um dos grandes diferenciais da Tetra Pak, além de ser uma empresa que fornece produtos e serviços que vão muito além da embalagem, está na dinâmica e na gestão da área de Recursos Humanos da companhia. Tradicionalmente, a empresa tem uma permanência – no seu quadro de funcionários – bastante larga, o que diverge da média do setor. O próprio Queiroz é um exemplo. Depois de 16 anos trabalhando na companhia – em uma jornada que começou na área de vendas – o CEO assumiu a presidência, em 2014, com a missão de impulsionar a inovação e promover o desenvolvimento sustentável do mercado local.

“Eu trabalhei na Tetra Pak nos últimos 20 anos. Temos pessoas aqui que permanecem por 25 ou até mesmo 30 anos. Esse é o tipo de dinâmica que faz uma grande diferença em um país como o Brasil. Dessa forma, quando retemos estas pessoas, estamos atraindo talentos que podemos treiná-los, envolvê-los e mantê-los. Este é um aspecto muito importante na empresa”, afirma Queiroz.

As metas que seriam perseguidas por Queiroz, frente a sua gestão na Tetra Pak, estavam claras desde que o CEO assumiu a presidência da empresa. Para ele, a primeira questão na qual deveria se envolver estava relacionada a continuidade e ao seguimento que teria que dar ao exitoso modelo de negócios da companhia. A segunda tinha relação com o mau momento do mercado brasileiro e a forma em como superá-lo. E a terceira, com políticas e projetos de inovação e expansão.

“O primeiro grande desafio era o de continuar cumprindo o legado dos meus antecessores, com foco no crescimento e no empreendedorismo. Outra questão era o desafio macroeconômico. Nas primeiras atribuições desenvolvi uma mentalidade de capacidade de recuperação e usei a crise para gerar oportunidades. E, por último, estava a questão da inovação. Temos um DNA em nossa empresa de melhoria contínua”, destaca Queiroz.

Seguindo a dinâmica elaborada durante a gestão de Queiroz, a empresa tem apostado no mercado brasileiro, apesar da turbulência e da instabilidade, para maximizar os negócios por meio da inovação, principalmente, por meio de soluções digitais e de uma agenda que, também, tem sido focada no desafio da economia circular.

“Acho que uma das coisas de que temos muito orgulho é que mesmo nestes últimos cinco anos, que foram extremamente difíceis no Brasil, temos mantido o tamanho do negócio e crescido no mercado nas três áreas que são primordiais na empresa: embalagem, serviços e equipamento”, destaca Queiroz.

MERCADO BRASILEIRO

A aposta da Tetra Pak pelo mercado brasileiro, mesmo em meio a instabilidade econômica dos últimos anos, tem base na própria importância do país, que possui a segunda maior operação do mundo, à empresa. Por isso, uma das prioridades do CEO Marcelo Queiroz tem sido a de intensificar os projetos da companhia por meio da relação com o consumidor.

“No Brasil, não somos apenas uma empresa B2B, somos uma empresa B2B2C. Procuramos incluir toda a cadeia comercial, desde a indústria até o consumidor final. Tentamos entender as necessidades dos consumidores em conjunto com as dos nossos clientes. Assim, identificamos oportunidades como forma de utilizar melhor os nossos ativos e aperfeiçoar os nossos projetos. Nesse sentido, utilizamos a eficiência para ser mais rentáveis”, afirma Queiroz.

Por ser uma empresa de ponta a ponta, que vai muito além da embalagem e que, também, se preocupa com a eficiência e com toda a cadeia de valor, uma das prioridades para a Tetra Pak, nos próximos meses, é desenvolver e fortalecer o conceito de indústria 4.0. Para isso, busca desenvolver soluções que façam conexão entre o produto, as máquinas e o cliente.

“Alguns equipamentos estão totalmente conectados, o que permite a determinados setores dentro da nossa indústria evitarem problemas devido a necessidade de manutenção e até mesmo da paralisação de algumas máquinas. Nosso objetivo é conectar a indústria de alimentos para permitir que os consumidores se sintam mais informados e que os nossos clientes saibam, com isso, o que eles querem e o que precisam”, explica Queiroz

PLANO DE EXPANSÃO

Para os próximos anos, Queiroz aposta na continuidade do projeto de expansão e inovação que tem sido liderado por ele dentro da Tetra Pak. Nesse sentido, a ideia é que a empresa desenvolva operações e aposte por novas categorias em serviços e em produtos. Por isso mesmo, a companhia tem investido, cada vez mais, no Centro de Inovação ao Cliente (CIC). Com isso, o objetivo é reunir conceitos e estratégias, com base nas tendências do mercado mundial, além de projetar novas mercadorias e realizar treinamentos e capacitações de funcionários da empresa.

“Estamos expandindo muito rápido e nos concentrando em buscar novas oportunidades em categorias e produtos. Buscamos oportunidade de negócios em outras indústrias como, por exemplo, a farmacêutica. Podemos crescer muito em serviços e, com isso, agregar valor aos nossos clientes, além de ajudá-los a se tornarem mais profissionais”, enfatiza Queiroz.

CADEIA DE SUPRIMENTO

A preocupação com a inovação em serviços e equipamentos tem relação direta com a relação da Tetra Pak com os seus parceiros estratégicos e com os provedores que estão involucrados com a companhia. A empresa utiliza a mesma lógica que tem com os seus funcionários: a de um relacionamento de longo prazo.

“Meus clientes vendem embalagens e quanto mais embalagens eles vendem, mais serviços e equipamentos nós damos a eles. No entanto, essas parcerias só são bem sucedidas porque nós temos uma visão de longo prazo. Eu prefiro esse tipo de parcerias, em vez de estratégias com fornecedores buscando apenas melhorar os custos. Assim, nossa cadeia de suprimentos acaba sendo muito simbiótica”, afirma Queiroz.

Uma dos cuidados adotados pela Tetra Pak junto a sua cadeia de suprimentos tem relação com o tema da sustentabilidade ambiental. Isso se deve ao fato de que os provedores da companhia são os responsáveis por aproximadamente 46% das emissões de gases do efeito estufa dentro da cadeia de valor da empresa. Nesse sentido, foram criadas alternativas como, por exemplo, a utilização de um software online de gerenciamento de sustentabilidade que busca agregar, diagnosticar, monitorar e relatar dados.

ESTRATÉGIA E CAPACITAÇÃO

Além do cuidado com os seus provedores, a Tetra Pak também tem investido em projetos que busquem difundir as atividades da empresa em um nível global. Para isso, a companhia tem se involucrado, cada vez mais, na capacitação dos seus funcionários.

“Trabalhamos com pessoas que procuram por coisas básicas como coragem, ética, competências e, acima de tudo, atitude. Devemos ajudar nossos clientes a maximizar seus negócios atuais, inovar e melhorar, também, por meio dos ativos e da eficiência de sua linha. Temos que mobilizar a organização para buscar uma transformação na maneira como trabalhamos. Acho que no Brasil temos espaço para sermos mais produtivos do que em outras partes do mundo. Isso significa simplificar a maneira como trabalhamos e como tomamos decisões”, finaliza Queiroz.

2019-11-20T15:24:46+00:00

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