Liderança em dobro e sem crise

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Liderança em dobro e sem crise

Com 178 lojas de autosserviço e 25 unidades de distribuição, o Atacadão se consolida como um gigante do atacado no Brasil.

Por Bruna Cavalcanti

Nenhuma empresa hoje no Brasil faz mais jus ao nome que possui que o Atacadão. Líder em dobro, tanto por meio das vendas nas 178 lojas de autosserviço como nas 27 unidades de distribuição que possui, a companhia é a maior rede atacado-varejista do país.

Gigante no setor do atacado, a empresa foi fundada em 1962 e se solidificou em 2007 com a venda para o grupo Carrefour. Com um modelo de negócios totalmente consolidado, o Atacadão já foi exportado a países como Colômbia, Argentina, Espanha e Marrocos.

Presente nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, o Atacadão possui uma equipe com mais de 48 mil colaboradores que operam em todo o país. Além disso, ao dia de hoje, a empresa oferece uma variedade de produtos, tanto no varejo quanto no atacado, estimada em mais de 10 mil itens.

No entanto, o sucesso da rede vem mesmo é do formato das suas lojas. O primeiro é o modelo de autosserviço, que é destinado ao consumidor final e aos pequenos e médios comerciantes. Já o segundo é o da central de distribuição, com um modelo que é reservado aos grandes lojistas.

Para o CEO do Atacadão, Roberto Müssnich, o formato e o ritmo acelerado da empresa estão relacionados diretamente à dinâmica e a produtividade da companhia, além da preocupação primordial em oferecer, ao cliente, um serviço eficiente somado a uma infraestrutura bastante moderna.

“O Atacadão é uma empresa única. Trabalhamos com o modelo de preço baixo todo dia, o que nos tornou uma referência na venda de produtos a baixo custo. Hoje, quase 50 mil pessoas fazem o Atacadão acontecer. Nesse sentido, o nosso maior objetivo é superar fronteiras e trazer produtos de qualidade a um preço justo”, afirma Müssnich.

DENTRO DO CARREFOUR

Em 2007, quando ainda possuía 34 lojas no país, o Atacadão passou a receber olhares de outras empresas e investidores que eram atraídos, principalmente, pela produção e pelo modelo de gestão de negócios da empresa. Assim, nesse mesmo ano, o grupo francês Carrefour comprou a companhia – por um valor, na época, estimado em R$ 2,2 bilhões.

“Tínhamos grandes valores e boas pessoas. Mas, éramos duas empresas com dois modelos de negócios diferentes. Expandimos o modelo para os mercados B2B e B2C e, naquele momento, tivemos um crescimento de 30% a mais por ano”, revela Müssnich.

Müssnich é diretor-presidente do Atacadão desde essa época, quando liderou o arrojado processo de expansão da companhia  – que passou de 34 para 134, em 2016, lojas de autosserviço e de 3 centrais de distribuição para 22 unidades. Também foi por meio do CEO que a empresa se internacionalizou a países como Argentina, Colômbia, Espanha e Marrocos.

SEM CRISE

O ritmo agressivo do Atacadão, que foi impulsionado nos últimos anos por Müssnich, principalmente em relação à abertura de novas lojas, é uma realidade bastante diferente de diversas outras companhias brasileiras. Nesse sentido, enquanto o mercado amargava uma crise sem precedentes, que assusta o investimento de outros grupos e empresas no país, o Atacadão vivia um momento marcado pelo crescimento.

“O ano de 2018 foi extremamente bom. Tivemos o desafio de crescer e inaugurar 20 lojas. Agora, em 2019, seguiremos esse mesmo ritmo e vamos fazer novas inaugurações. Nesse momento, por exemplo, temos 11 lojas em construção. E, nos últimos 10 anos, temos conseguido manter o nosso ritmo de investimento, não importa o que aconteça”, comemora Müssnich.

O otimismo do CEO do Atacadão pode ser expressado – de maneira bastante concreta – em números. Em 2018, apesar da estagnação e da lenta recuperação da economia brasileira, a empresa teve ganhos bastante significativos, com um valor acumulado de vendas de R$ 37,6 bilhões.

“Estamos bastante otimistas. Temos investido no Brasil e em 2019 isso não será diferente. Apenas em expansão vamos ter uma inversão total de R$ 1,8 milhões. O que vemos hoje é um sentimento de maior confiança. Por isso, vamos manter, para esse ano, uma expansão que busca um equilíbrio entre capitais, interior e novos mercados”, destaca Müssnich.

CASH & CARRY

O modelo adotado pelo Atacadão, que é conhecido como cash & carry ou ainda como atacado de autosserviço, tem como princípio o fato de que é o próprio cliente que escolhe, paga e leva o produto diretamente da prateleira. É um modelo de negócios híbrido, já que é voltado tanto para o grande comprador como para o consumidor final.

Trazido ao Brasil em 1972, pela empresa Makro, se trata de um segmento que tem crescido, principalmente, entre as classes C, D e E, e que tem como princípio a liberdade e escolha do consumidor. É desse tipo de formato de comércio que surge o atacarejo, um modelo de negócios que mescla o atacado e o varejo, reunindo os conceitos carry (pague e leve).

De acordo com a consultoria Euromonitor Internacional, o atacarejo – mistura de atacado mais varejo – teve um crescimento em 2017, apenas no Brasil, de 11%, além de movimentar uma receita estimada em R$ 48,4 bilhões.

Até 2022, a expectativa da Eurominotor é que o atacarejo tenha um crescimento médio anual de vendas ao cliente final de 6%. Nesse mesmo período, o mercado relacionado às lojas especializadas, supermercados e hipermercados cresceu apenas 3,7%, o que mais uma vez evidencia o sucesso desse formato de comércio.

CONSUMIDOR ATACADÃO

Os números da Eurominitor são reflexo de um mercado que veio para ficar. Por isso mesmo, uma das explicações mais sólidas para o crescimento da companhia, mesmo em meio a uma considerável crise econômica, tem haver com o modelo de gestão de negócios adotado pela empresa. Tudo isso somado a um preço muito mais baixo e competitivo, comparado com outras empresas do mesmo setor.

Nesse sentido, o modelo de negócios do Atacadão tem crescido em meio a atual instabilidade econômica porque tem, de certa forma, sido impulsionado pela mesma. Ou seja: a atual crise econômica fez com que muitos consumidores passassem a realizar suas compras mensalmente e em grande quantidade. Assim: algo que começou como uma alternativa agora passa a ser confirmado como uma tendência de consumo cada vez maior.

“Os consumidores foram atraídos por um formato que oferece grandes quantidades de um produto a grandes descontos. Nosso cliente entende perfeitamente a proposta do nosso segmento, sabe qual é o nosso foco e como as compras são convenientes dentro dos seus interesses. Inclusive, mesmo com a melhora do poder de compra, isso não deve mudar. Nós não temos que oferecer o mesmo que um hipermercado”, afirma Müssnich.

SUSTENTABILIDADE

Além da preocupação com o seu modelo de negócios, o Atacadão também desenvolve programas de apoio ao desenvolvimento sustentável, ao meio ambiente e a diversidade. Um desses projetos é o Programa SustentAção, que tem como objetivo a redução de impactos ambientais que são resultadas por meio das operações da empresa.

Outro projeto do Atacadão, referente ao tema da sustentabilidade, está relacionado com o desenvolvimento de um plano de gerenciamento dos resíduos produzidos nas lojas e nos centros de entrega da empresa. Para isso, foram concebidas diversas ações, que vão desde a redução e o tratamento destes resíduos, até mesmo a prevenção e redução dos riscos à saúde humana.

Além da preocupação com a sustentabilidade ambiental, por meio do Programa SustentAção e de outros que tem como objetivo a redução e o tratamento de resíduos nos centros da empresa, a companhia desenvolve, também, um relacionamento de valorização e apoio às comunidades locais nos diversos Estados e cidades onde atua. Uma prova a mais da liderança sem crises – e sem fronteiras – desenvolvida pelo Atacadão.

2019-11-04T14:49:43+00:00

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