Impasse diplomático

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Impasse diplomático

A abertura de um escritório comercial em Jerusalém pode trazer sérias consequências econômicas ao país.

O anúncio realizado pelo presidente Jair Bolsonaro, da abertura de um escritório de representação comercial em Jerusalém, pode trazer consequências sérias ao país, tanto em questões diplomáticas como econômicas. O comunicado foi feito após uma reunião com o premiê Benjamin Netanyahu, durante o primeiro dia da visita oficial de Bolsonaro à Israel.

Ao longo de toda a sua campanha eleitoral, Bolsonaro havia declarado ter intenções em mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, confirmando assim um gesto de reconhecimento da cidade como capital israelense, postura que tem sido adotada por países como Estados Unidos.

O recuo de Bolsonaro em sua promessa foi motivado, principalmente, pela tentativa de evitar uma possível retaliação comercial com os países árabes com quem o governo brasileiro possui acordos importantes relacionados, principalmente, ao agronegócio. No entanto, essa decisão não foi suficiente para agradar nem a israelenses – que esperavam o anúncio da transferência da embaixada brasileira – e nem a palestinos.

Durante uma declaração à imprensa nesta segunda-feira (1), o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, anunciou que recebeu ordens dos seus superiores de aguardar os possíveis desdobramentos desse anúncio e da viagem de Bolsonaro à Israel. Além disso, embaixadores de diversos países árabes, no Brasil, pediram uma reunião formal com Bolsonaro – o seu retorno deverá ocorrer nesta quarta-feira (03) – e com o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carnes halal, que são autorizadas para o consumo, por mulçumanos, por seguir normas específicas do islamismo. Em 2017, por exemplo, a balança comercial com os 22 países que formam a Liga Árabe teve um superávit de US$ 7,1 bilhões para o Brasil. E, por isso mesmo, a aproximação do governo brasileiro com o premiê israelense Benjamin Netanyahu é tão criticada.

De acordo com o embaixador Ibrahim Alzeben, que também é decano do conselho de embaixadores árabes e islâmicos no Brasil, a posição contrária ao governo de Israel, de adotar Jerusalém como sua capital, é respaldada por 57 países árabes ou islâmicos. Vale lembrar que Israel, além de ser reivindicada como capital de um futuro Estado Palestino, é considerada sagrada por diversos povos e religiões, como cristãos, judeus e mulçumanos.

2019-05-14T18:09:28+00:00

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