Energia de sobra

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Energia de sobra

Por meio do comando de Pedro Zinner, a Eneva se transformou na maior operadora privada de gás natural do Brasil.

Por Bruna Cavalcanti

A instabilidade do mercado brasileiro afetou diversos setores da indústria nos últimos anos. No entanto, no ramo da energia, há uma empresa que, independente do cenário nacional desfavorável, vem demonstrando ter combustível de sobra. Trata-se da Eneva, a maior operadora privada de gás natural do Brasil e a terceira empresa em capacidade térmica do país. Em 2018, quando o país teve um produto interno bruto (PIB) bem abaixo das expectativas de 1,1%, a Eneva teve um lucro líquido equivalente a R$ 307,6 milhões – um resultado superior em 138,7% ao registrado em 2017, quando teve uma receita de R$ 128,9 milhões.

Os números apresentados pela Eneva, em 2018, representaram o maior lucro histórico da empresa e consolidaram, no âmbito operacional, o modelo Reservoir-to-wire (R2W) que é executado pela corporação. Além disso, a companhia já acumula, no primeiro trimestre de 2019, um lucro líquido equivalente a R$ 129,8 milhões. Comparado com o primeiro trimestre de 2018, quando a Eneva teve uma receita de R$ 35,1 milhões, esse resultado aponta um aumento de 270%.

A excelente performance da companhia pode ser atribuída, em uma grande parte, ao comando energético – e estratégico – de Pedro Zinner, CEO da Eneva desde 2017, ano em que a companhia começou a ascender em larga escala no mercado. De acordo com Zinner, independente dos tempos políticos agitados e da instabilidade econômica, o que diferencia a empresa no mercado é a capacidade de incorporar grandes desafios, pensar a longo prazo e manter o rigoroso padrão de gestão que os trouxe até aqui.

“O ano de 2018 foi marcado por profundas mudanças no Brasil e trabalhamos arduamente para cumprir nossas promessas. Chegamos a 2019 prontos para fazer frente aos desafios de crescimento. Acredito que estamos bem posicionados para suprir uma importante demanda por energia no país e dobrar a capacidade de geração até 2023”, afirma Zinner.

Economista de formação, Zinner passou quase dez anos na Vale antes de assumir a presidência da Eneva. Para o diretor, a transição da matriz energética brasileira vai gerar oportunidades expressivas de investimentos que se encaixam bem ao perfil de projetos da companhia, o que os coloca em uma posição competitiva bastante vantajosa e estratégica.

Com operação nos estados do Maranhão e Ceará, a empresa constitui uma fonte importante de energia para o abastecimento das regiões Norte e Nordeste, contribuindo com isso para o desenvolvimento econômico local. Para entender ainda mais a grandiosidade da Eneva, basta saber que, apenas no Maranhão, a companhia possui mais de 40 mil km2 de área exploratória de gás na Bacia da Parnaíba, o que corresponde ao tamanho da Suíça.

PILARES ESTRATÉGICOS

A Eneva tem quatro pilares estratégicos que orientam e guiam a gestão que move a empresa: saúde, segurança, meio ambiente e responsabilidade social. Além disso, possui uma plataforma integrada de energia, com conhecimento de toda a cadeia de produção. Nesse sentido, um dos maiores diferenciais da companhia é realizado por meio do acesso cativo às reservas de gás natural que promovem geração de energia. Isso faz com que a empresa tenha uma oferta maior para atender a crescente demanda brasileira por fontes mais limpas de energia térmica.

Atualmente, a Eneva é uma companhia única, com um modelo de decisão na alocação de capital centralizado, mas com uma gestão de ativos e operações que funciona de forma descentralizada. Tudo isso dá à empresa a solidez necessária para conduzir um modelo de negócios que gera valor e confiança ao mercado.

“Não queremos nos tornar reféns da armadilha de crescimento e nem perder a nossa agilidade. Queremos ser uma grande empresa, mantendo o espírito de uma startup e movidos por grandes desafios. Não pretendemos perder nossa agilidade e a certeza de que podemos executar e entregar o que prometemos dentro do prazo”, destaca Zinner.

METAS DE CRESCIMENTO

Um dos maiores logros da Eneva, no primeiro semestre de 2019, foi a vitória em um leilão, pro- movido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), para abastecer o sistema isolado de Roraima.

Com a vitória no leilão da ANEEL, a Eneva extrairá gás no campo de Azulão, na bacia do Amazonas, no Amazonas, e transportará o combustível – depois da liquefação do mesmo – por 1.100 km até a capital Boa Vista. Com isso, a companhia irá fornecer, a partir de junho de 2021 e pelos próximos 15 anos, energia à Boa Vista, e a diversas outras localidades do estado, através da usina Jaguatirica II (132MW) que irá construir em Roraima. Para a implantação desse projeto, a companhia prevê um investimento total estimado em R$ 1,8 bilhão. Trata-se do primeiro campo produtor da Bacia do Amazonas e tam- bém da primeira usina à gás natural do estado de Roraima.

“A empresa irá desenvolver a produção de gás e a geração termelétrica de forma integrada, assim replicando em uma nova geografia modelo de negócios semelhante ao R2W (Reservoir-to-Wire) – o onshore gas-to-power. Com o resultado do Leilão, expandimos o nosso modelo para mais uma bacia sedimentar. Com isso, a capacidade total do parque da Eneva somará 2,7 GW, além de uma garantia – na receita total da companhia – de um faturamento bruto anual mínimo de R$2,7 bilhões”, comemora Zinner.

Para os próximos anos, Zinner que ir ainda mais além. A ideia do CEO é dobrar a capacidade de geração contratada da Eneva até 2023. Para isso, o diretor pretende continuar focando em oportunidades que aumentem o valor dos ativos e da operação da empresa a longo prazo, além de seguir buscando oportunidades de negócios que sejam compatíveis com os principais objetivos da companhia.

“Buscamos oportunidades de negócios que estejam de acordo com nossa visão sobre para onde o mercado deve crescer e que não tenham por base apenas o cenário atual. Como resultado desta abordagem, nossos acionistas estão, hoje, em uma posição melhor do que estariam se seguíssemos a filosofia de crescer a qualquer custo”, afirma Zinner.

Fora a ampliação do modelo de Reservoir-to-wire (R2W), um dos grandes objetivos da companhia é aumentar a eficiência do mesmo. Nesse sentido, a prioridade é otimizar o negócio de geração de energia nas usinas termelétricas, que já são comercializadas pela Eneva, e concluir a estruturação do financiamento da Parnaíba V, que pertence ao complexo da Bacia do Parnaíba e está estimado em R$ 1,3 milhão.

De acordo com Zinner, a cara da Eneva mudou e, por isso mesmo, é preciso também potencializar a comercializadora de energia e iniciar o modelo de negócios na Parnaíba, além de concluir o financiamento que provém desse projeto. Para o CEO, será necessário apoderar-se do crescimento que vem da liberalização do próprio mercado e, por outro lado, desenvolver e implementar estratégias de inovação que posicionem a empresa em uma nova fase de expansão.

“Sem dúvida, uma questão fundamental será como medir a eficiência do que chamamos de reposição de reservas presentes no nosso portfólio. O objetivo é aumentar o volume de gás disponível e estender nossos contratos para gerar mais energia e, assim, poder revendê-la. Um dos objetivos que estabelecemos é encontrar a cada ano a mesma quantidade de reservas que consumimos”, garante Zinner.

FOCO NAS FINANÇAS E NA INOVAÇÃO

Um dos maiores esforços da Eneva, desde 2018, é ver além do mercado e cumprir o modelo de negócios proposto aos seus clientes, independente do cenário político ou econômico pelo qual o país atravessa. Nesse sentido, a companhia tem adotado uma estratégia que é marcada pelo crescimento, otimização e eficiência, mas com foco e aperfeiçoamento nas finanças.

Para otimizar a eficiência financeira da companhia, Zinner entende que a empresa necessita realizar os ajustes econômicos que são necessários, principalmente, em termos inflacionários. Por isso mesmo, o objetivo tem sido rentabilizar contratos já adquiridos, além de ampliar e otimizar o negócio de comercialização de energia.

“Acredito muito nesse mercado e sei que é um ambiente propicio para expansão. As regras do jogo mudaram e acredito em uma maior demanda no mercado livre nos próximos anos. Por isso, devemos apostar em nossa estratégia de inovação e estar atentos à evolução das tendências de mercado”, prevê Zinner.

CADEIA DE SUPRIMENTOS

Zinner tem optado por uma estratégia bastante sólida: aumentar a capacidade de produção da Eneva otimizando, também, a cadeira de suprimentos da empresa. A ideia é expandir os atuais colaboradores e mobilizar outros parceiros estratégicos, além de reunir talentos e perfis compatíveis com os pilares da companhia.

“Devemos nos concentrar em aumentar nossa capacidade de geração para 4.7 GW em 2023. O caminho será o de seguir mobilizando diferentes stakeholders ao longo da cadeia de produção de todo o mundo para o nosso projeto”, avalia Zinner. Atualmente, a Eneva apresenta em seu portfólio contratos com mais de 600 empresas diferentes. Nesse sentido, o tema referente à logística e a cadeira de suprimentos ganha relevância em empresas do setor energético devido à integração das unidades de negócios destas companhias com a rede de fornecedores que possuem.

2019-11-04T20:20:44+00:00

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