Da fazenda à boca do consumidor

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Da fazenda à boca do consumidor

Silvia Dávila, presidenta de Danone Lácteos e Produtos Vegetais em AL, lidera uma empresa que é sinônimo de qualidade.

Por Bruna Cavalcanti 

Duas coisas chamaram a atenção da diretora Silvia Dávila quando foi nomeada para ser presidenta de Danone Lácteos e Produtos Vegetais em América Latina. A primeira era que a companhia da qual faria parte lhe inspirava, principalmente, pela qualidade e desenvolvimento dos seus produtos. A segunda questão estava relacionada à sustentabilidade, uma das propostas mais importantes para a empresa e um tema que sempre foi parte do trabalho de Dávila.

“Vários valores da companhia sempre foram relevantes para mim. Principalmente, o fato de que desenvolvemos produtos que tem como foco a saúde das pessoas. Fazemos coisas que realmente tem um impacto positivo e que afetam o dia a dia dos nossos clientes, além de gerar sustentabilidade”, afirma Dávila.

Outro pilar fundamental idealizado na companhia por Dávila tem referência com o próprio modelo de negócios e com a geração de empregos que sempre foi promovida pela Danone e mantida por ela quando chegou à presidência do grupo. Para se ter ideia da grandeza da marca basta saber que apenas na América Latina são mais de 25 mil pessoas trabalhando na empresa.

“Pela própria natureza dos nossos produtos impulsionamos parte da economia sustentável nos lugares onde operamos e produzimos cadeias de valor que vão, literalmente, desde a fazenda até a boca dos nossos consumidores. Ou seja: geramos empregos de qualidade de dentro para fora, tanto para pequenos trabalhadores como também para pequenos produtores. Priorizamos desde o desenvolvimento dos insumos até a cadeia de suprimentos”, destaca a presidenta.

TRADIÇÃO FAMILIAR

Saúde, alimentação e sustentabilidade são temas fundamentais que, aliados à tradição e qualidade da Danone, formaram parte da empresa desde o início. Nesse sentido, a companhia fez e continua fazendo parte da infância e da tradição familiar da maioria dos seus consumidores.

A própria origem da empresa remete a preocupação da companhia com a alimentação saudável e, também, ao apelo e a tradição familiar. A marca, que surgiu em Barcelona, na Espanha, foi fundada por Isaac Carasso com o objetivo de auxiliar crianças espanholas que tinham problemas relacionados a infecções intestinais. Dessa forma, Carasso decide produzir e comercializar o iogurte e lança em 1919, após o nascimento do seu filho Daniel – que carinhosamente era chamado de Danon – a Danone.

MERCADO BRASILEIRO

Danone está em mais de 120 países nos cinco continentes, além de contar com mais de 100 mil colaboradores e 190 fábricas. Além disso, está presente no Brasil há 45 anos, desde o lançamento do primeiro iogurte com polpa de frutas à variedade de opções dos dias de hoje. A Danone revolucionou os hábitos de consumo e conquistou o paladar dos brasileiros consolidando-se como sinônimo não só de iogurte, mas também de nutrição, saúde, qualidade e inovação. Por meio de projetos e mobilização de parceiros (governo, entidades privadas e públicas), a marca busca conscientizar sobre a importância de uma dieta balanceada e a prática de atividades físicas. No Brasil, o portfólio é composto por marcas de su- cesso como Activia, Danoninho, Bonafont, Sustain, Souvenaid, entre outros.

Atualmente, a Danone possui três divisões no país : Produtos Lácteos Frescos e à Base Vegetal, Danone Nutricia (nutrição especializada) e Águas. Além disso, são onze as marcas principais em linha: Danoninho, Danette, Corpus, Actimel, Activia, Paulista, Danio, Yopro, Oikos, Danone e Silk. A empresa opera por meio da matriz, que está localizada em São Paulo, da fábrica de lácteos em Poços de Caldas, Minas Gerais, de outra fábrica em Maracanaú, Ceará, além de co-packers e centros de distribuição. A Danone, por meio da sua marca Danoninho, conseguiu inovar o mercado no Brasil a liderança da companhia no setor de produtos lácteos frescos do Brasil.

LIDERANÇA LATINO-AMERICANA

De acordo com a consultoria Euromonitor International, o país representa à Danone 37% de todas as receitas totais de produtos lácteos da América Latina, transformando-se no maior mercado de lácteos da região.

A Danone detém ainda, segundo a Euromonitor International, a maior participação do mercado na categoria de iogurte, com 38% das vendas. Esse valor representa mais que o dobro da segunda colocada nessa categoria, a Dairy Partners Americas, que detém um 18%. Na América Latina, a Danone possui importantes negócios em países como o México, Brasil, Argentina e Uruguai. 

Para Silvia Dávila, o segredo e a força da marca estão relacionadas diretamente com o desenvolvimento da companhia na qualidade dos seus produtos a nível local. Isso gera, principalmente, uma preocupação por parte da empresa em entender o mercado e o próprio consumidor regional, o que também a diferencia dos seus concorrentes.

“Onde estamos somos muito fortes porque geramos cadeia de valor. Se não fizermos isso não nos estabelecemos como com- panhia. Nesse sentido, por meio de provedores locais, fazemos uma combinação bastante interessante mesclando a nossa base de produtos com outras receitas re- gionais. Isso nos permite, por exemplo, ter um iogurte com graviola em um país como o México e um com açaí no Brasil. Vamos nos adequando de acordo com cada mercado”, pontua Dávila. 

A adaptação às necessidades dos consumidores locais sempre foi um tema fundamental para a Danone. Isso está relacionado, especialmente, pelo objetivo em oferecer produtos que sejam diversos, mas que impactem de maneira cultural os consumidores em torno à alimentação saudável.

A preocupação com a saúde é levada tão a sério pela companhia que a Danone criou o programa NutriPlanet, que tem como principal missão entender, estudar e reunir as informações, os hábitos e as condições nutricionais da população dos países onde a companhia atua.

Originalmente, a ideia do NutriPlanet era entender as necessidades em torno a alimentação de mercados pouco conhecidos para a Danone como, por exemplo, Índia, China e Argentina. No entanto, o programa funcionou tão bem que acabou sendo expandido e hoje está presente em 53 países. Atualmente, é por meio do NutriPlanet que a equipe de pesquisa da Danone visa entender a rotina e o estilo alimentar dos seus consumidores para então desenvolver soluções locais por meio de produtos relevantes.

CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

Seguindo a principal missão do grupo, que é a de criar alternativas saudáveis e gerar impacto na alimentação por meio da saúde e de produtos de qualidade, o objetivo da Danone é obter, até 2020, um crescimento médio de 4% a 5%. Para alcançar esse resultado, cada setor da empresa – a nível global – tem a sua própria dinâmica. A divisão de Produtos Lácteos Frescos, por exemplo, trabalha com uma meta entre 3% e 5%, seguida pela divisão de Nutrição Especializada, com uma expectativa de expansão entre 6% e 8%, e pela divisão de Águas e Early Life Nutrition, que esperam um aumento entre 7% e 10%.

“Nosso maior comprometimento é com a área de Produtos Lácteos Frescos. O compromisso e as metas de expansão são passados pela companhia a nível global. No entanto, no mercado latino-americano somos definitivamente mais agressivos em relação a este crescimento porque o consumo de iogurte é mais baixo quando comparamos com outros mercados. Por isso, temos mais espaço para fazer crescer essa categoria na região”, explica Dávila.

A preocupação da Danone com o crescimento sustentável também se dá por meio de projetos que beneficiam o meio ambiente e a qualidade competitiva através do incentivo aos pequenos produtores com, por exemplo, o manejo de frutas.

“A agricultura é parte fundamental do que somos e do que fazemos como empresa. O valor do nosso produto tem que estar na mesa do nosso consumidor. Por isso, apoiamos que o uso do solo seja regenerativo e incentivamos que pequenos produtores se convertam em empresários agrícolas, além de ajudá-los a gerar capital e um ecossistema saudável”, afirma Dávila.

CADEIA DE SUPRIMENTOS

Outra parte fundamental na abordagem dos negócios da Danone está relacionada ao setor de suprimentos da companhia. O principal desafio é operacionalizar uma cadeia formada por produtores regionais, mas que possui uma rede de distribuição bastante amplia. Para isso, cada país onde a marca está presente possui um diretor especializado com o mercado local.

“Nosso maior objetivo é realmente encontrar espaços de mercado úteis ao nosso consumidor. Por isso, a nossa cadeia de suprimentos é formada sempre por fornecedores locais. Nesse sentido, um grande desafio é influenciar a nossa rede e otimizar os produtos que vendemos tendo em consideração que a validade da nossa mercadoria é muito curta”, destaca Dávila.

Com uma empresa tão preocupada com a qualidade dos seus produtos como a Danone, a inovação não podia vir de outra forma que não fosse por meio da relação da marca com seu próprio consumidor. Por isso mesmo, o investimento em tecnologia está completamente atrelado ao desenvolvimento da cultura de investigação da companhia e ao objetivo de entender os gostos locais de cada cliente.

Além disso, o monitoramento da equipe de nutrição da Danone investiga e compara os produtos do mercado local por meio de uma dinâmica que consegue entender quando os consumidores desses países substituem um produto por outro, o que acaba ajudando na hora de identificar o processo de escolha desse cliente.

“Estamos em uma fase em que o consumidor está mudando o tempo todo. Devido a nossa linha de produtos, falamos com um público de diversas idades e tribos. Por isso mesmo, uma das coisas fundamentais para o nosso processo de produção e de inovação é justamente entender o que quer esse consumidor e do que ele verdadeiramente gosta. Este é o nosso pilar mais fundamental”, finaliza Dávila.

2019-11-06T15:29:55+00:00

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