China compra Brasil

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China compra Brasil

A crítica contra o governo Bolsonaro é que a China não compra no Brasil, mas sim adquire o país. E o aumento do investimento é notável.

Por Oso Oseguera 

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e a maior fonte de investimento estrangeiro. No ano passado, o comércio bilateral aumentou para um recorde de US$ 100 milhões.

Cético em relação ao Mercosul, o ministro da Economia, Paulo Guedes, desde o primeiro dia em que foi nomeado, pressiona muito para abrir mercados, privatizar empresas do governo e ter um orçamento equilibrado. Com as perspectivas de um governo protecionista na Argentina, a insistência, por parte do Brasil, em um acordo comercial com a China não deve ser uma surpresa.

Guedes disse, na semana passada, que a criação de uma área de livre comércio entre China e Brasil está sendo negociada. O ministro se refere à possibilidade de criar “com a China uma área de livre comércio, enquanto falamos em ingressar na OCDE”, disse Guedes.

O ministro também disse ter ouvido do governo chinês que não haveria problema se o Brasil vendesse ainda mais ao país asiático: “não haveria problema com o comércio desequilibrado com a China”.

“Não me importo se, em uma situação de superávit [do Brasil hoje] com a China, equilibrarmos lá, aumentando as exportações em 50% e as importações dobrando ou até triplicando. O que queremos é ainda mais integração”, afirmou Guedes.

Além de a China ser o principal parceiro comercial do Brasil, e uma importante fonte de investimentos, a parceria entre ambos é limitada. Pelas cláusulas do Mercosul, as negociações com países terceiros devem ser extensivas para todo o grupo e ter o consenso geral de seus membros, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

O que Guedes e Bolsonaro esperam é que o anúncio refrescante deste importante investimento chegue em um dos portos do Brasil. Supostamente, a China Communications Construction Company (CCC) está preparada para investir quase US$ 1 bilhão no porto de São Luís.

Em 2018, a CCC começou a trabalhar em um novo porto greenfield em São Luís, capital do estado do Maranhão, Nordeste do Brasil. O projeto de construção de quatro anos tem um custo projetado de aproximadamente US$ 250 milhões. Duas empresas brasileiras associadas, WPR e Lyon Capital, têm uma participação minoritária combinada de 49% na empresa.

O principal objetivo do novo porto é aumentar a capacidade da região de enviar soja brasileira para o mercado externo. E, nesse sentido, é importante lembrar que a China é o maior cliente das exportações brasileiras de leguminosas.

A crescente presença da China se tornou alvo da retórica nacionalista de Bolsonaro na campanha presidencial do ano passado, incluindo uma queixa repetida: “Os chineses não estão comprando no Brasil. Eles estão comprando o Brasil”.

E, desde que assumiu o cargo, diplomatas e empresários de ambos os países influenciaram o ex-capitão do exército a mitigar sua retórica contra a China.

Outras negociações entre a China e o Brasil incluem um acordo para permitir a transferência de presos condenados entre os dois países, protocolos para permitir a expansão do comércio de frutas e extensos memorandos de entendimento para cooperar no setor de transporte, investimento e serviços.

 

2019-11-20T22:40:07+00:00

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