Alta Tensão

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Alta Tensão

O setor de energia no Brasil tem passado por algumas reestruturações importantes, mas precisa estimular a regulamentação.

Por Bruna Cavalcanti

O setor elétrico está em um processo de forte transformação no Brasil e no mundo. A crise desencadeada em Agosto – quando Paraguai e Brasil cancelaram um acordo em que os paraguaios se comprometiam a pagar mais pela compra da energia elétrica da Usina de Itaipu – colocou o setor novamente em foco no país. E, além disso, reafirmou a importância e também a dependência do sistema brasileiro às hidrelétricas.

Em 2018, a energia gerada apenas pela Usina de Itaipu foi equivalente a 14,6% do mercado brasileiro. Mas, de um modo geral, as hidrelétricas são responsáveis por mais de 60% da eletricidade que é gerada no país.

Contudo, a política do uso de energias renováveis está mudando no Brasil e vem passando por algumas restruturações importantes que foram implementadas nos últimos anos. No entanto, o país deve avançar em relação a necessidade de aumento nas mudanças regulatórias por parte do Estado.

Energia Limpa

O processo de transição para uma ma- triz energética com menor conteúdo de carbono tem ganhado cada vez mais força no país. Atualmente, já são 42,9% de fontes renováveis. Parte disso vem de incentivo do próprio Estado: de 2004 a 2018, o Banco Nacional de Desenvolvi- mento Econômico e Social (BNDES) já emprestou US$ 30 bilhões para projetos de energia renovável no Brasil.

O investimento em programas e projetos de energia renováveis ou limpas também tem sido uma tendência adotada entre diversas empresas brasileiras. Recentemente, a fabricante de bebidas Ambev anunciou um contrato para a construção de 31 usinas solares que deveram ser construídas até março de 2020. O acordo, que custará R$ 140 milhões à Ambev ao longo de um prazo de dez anos, será suficiente para abastecer os 94 centros de distribuição da empresa em todo o país.

No ano passado, ainda durante o governo do ex-presidente Michel Temer, o BNDES lançou o Finame Energias Renováveis. O programa, que tinha como principal objetivo apoiar investimentos em energias limpas, teve um orçamento inicial de R$ 2 bilhões.

Por meio do Finame, empresas de qualquer porte passaram a ter o direito de financiar, junto a bancos privados, públicos ou de fomentos, 100% do total a ser aplicado em equipamentos como, por exemplo, os de sistema de geração de energia solar ou de aquecimento de água por meio de placas coletoras solares.

Ventos a Favor

Concorrente da Ambev, a Heineken inaugurou este ano em Acaraú, no Ceará, um parque eólico que tem uma estrutura capaz de abastecer 30% de toda a energia elétrica consumida pelas 15 fábricas do grupo no Brasil. Com um custo de R$ 200 milhões, o parque tem uma capacidade de gerar 112 mil MWh/ano e é parte de uma iniciativa que tem como meta utilizar 100% de energia renovável no Brasil até 2023.

O crescimento da energia eólica no Brasil já é uma realidade sem volta. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica), a capacidade de geração dos 602 parques eólicos no país – 506 apenas na região Nordeste – é de 15,1 GW. Esse valor coloca a energia eólica como a segunda maior fonte energética do país.

De acordo com informações do Global Wind Energy Council (GWEC), em 2018, o Brasil foi o quinto país que mais instalou energia eólica no mundo todo. China, Estados Unidos, Alemanha e Índia foram os países que mais se superaram nesse setor.

Novas Regulamentações

O setor de gás natural também tem sido impulsionado por fortes mudanças e representa um potencial enorme à indústria. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país possui 608,4 bilhões de m3 em reservas de gás natural. Desse valor, a maior parte está concentrada em estados como o Rio de Janeiro (63,5%), Espírito Santos (11,2%) e São Paulo (9,8%).

Buscando trazer mais concorrência para o setor, o governo lançou, em julho deste ano, o Novo Mercado de Gás, que tem como objetivo tornar o mercado de gás natural mais dinâmico, competitivo e aberto.

Além disso, o programa também servirá como uma forma de articular as regulações estaduais e federais do setor, ademais de estimular a integração entre os setores elétrico e industrial, removendo as barreiras tarifárias que impedem a concorrência.

Atualmente, a produção de gás representa 13% da matriz energética brasileira. No entanto, a previsão é de que a mesma dobre nos próximos anos e de que a alta tensão do setor se transforme, efetivamente, em altos negócios.

2019-11-21T14:38:36+00:00

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