//Mercedes-Benz, liderança em alta velocidade

Mercedes-Benz, liderança em alta velocidade

Presidente da Mercedes-Benz no Brasil & CEO na América Latina, Philipp Schiemer aposta em comunicação e tecnologia.

Por Bruna Cavalcanti

O presidente da Mercedes-Benz no Brasil & CEO América Latina, Philipp Schiemer, é, sem dúvida, um dos maiores conhecedores do mercado automotivo brasileiro. O alemão já esteve três vezes no país. A primeira em 1991. A segunda em 2004, quando assumiu a vice-presidência comercial da empresa até 2009. E, por último, em 2013, quando recebeu a sua maior missão até agora: o cargo de presidente da Mercedes-Benz do Brasil. Nesse momento, o setor começava a enfrentar um dos seus piores momentos devido, principalmente, à instabilidade política e econômica brasileira. Por isso mesmo, Schiemer tinha pela frente duas missões fundamentais. A primeira era o árduo trabalho de liderar o comando da maior fabricante de veículos comerciais pesados do Hemisfério Sul. A segunda era a de reestruturar o modelo de negócios da fabricante em um período extremamente desafiador e turbulento para o país. E, nesse sentido, Schiemer não podia falhar em nenhuma delas.

O que o executivo alemão não esperava era que o mercado, assim como a estabilidade política brasileira, que sustentava esse e diversos outros setores, fosse piorar ainda mais. De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), em 2013, já havia uma queda de 2,29%, relativos a soma de todo o setor automotivo – o que inclui também os emplacamentos de automóveis, comerciais leves, ônibus, motos, caminhões. Em 2014, segundo análises da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), este percentual piorou ainda mais. Naquele momento, em relação apenas ao setor de caminhões, o volume de vendas caiu entre 70% e 75%. Já entre 2016 e 2017, a crise política, somada à econômica, fez a ociosidade das fábricas – no segmento de caminhões – chegar a 80%.

Com a crise elevada do setor, Schiemer fez o que poucos fariam diante dessa situação instável: investir ainda mais no país. Para isso, traçou um plano agressivo, apesar de consciente e executável, como ele mesmo costuma afirmar. O resultado disso foi que, quando a Mercedes-Benz completou 60 anos de operações no Brasil, em 2016, o CEO já investia, desde o ano anterior, o montante de R$ 730 milhões que foram utilizados, entre outras coisas, para reestruturar as operações industriais da companhia. “Nunca foi fácil, mas conhecemos o mercado e estamos convencidos do potencial que o Brasil possui. Nós tínhamos e temos de ter fábricas no Brasil que consigam ser eficientes em relação às outras fábricas Mercedes-Benz do mundo, e também em relação às concorrentes de outras marcas”, explica.

Como resultado do investimento de R$ 730 milhões entre 2015 e 2018, a Mercedes-Benz do Brasil inaugurou duas novas linhas, uma de fabricação de cabinas e outra de produção final de caminhões com tecnologias da Indústria 4.0, como conectividade, Internet das Coisas, Analytics e Big Data. Além disso, a empresa tem investido, desde 2018 até 2022, mais R$ 2,4 bilhões no Brasil para continuação da modernização de suas fábricas rumo à Indústria 4.0, fora o desenvolvimento de novos produtos e serviços de conectividade.

Além da reestruturação da companhia, foi sob o comando do executivo alemão que foi inaugurada a nova linha de produção final de caminhões e a nova linha de fabricação de cabinas, ambas com o conceito da Indústria 4.0. Além disso, com investimento de R$ 90 milhões, o executivo inaugurou, em 2018, o maior e mais completo campo de provas de caminhões e ônibus do Hemisfério Sul. “Com base nos desafios encontrados aqui, nós criamos uma estratégia que tem como principal foco a relação da empresa com os seus clientes. Antes de qualquer coisa, nós temos uma tradição longa no mercado brasileiro. Assim, quando o cliente pensa em caminhão ou ônibus, ele tem de pensar na Mercedes-Benz. Nosso principal objetivo é ser sempre Top of Mind!”, afirma o executivo.

RENOVAÇÃO, TECNOLOGIA E COMPROMETIMENTO

O plano estratégico de Schiemer aposta, entre outras coisas, na tecnologia, na comunicação, na renovação e na transparência que a marca tem junto aos seus clientes. Uma prova de que o objetivo do executivo foi alcançado com sucesso é a atual liderança da marca no setor de caminhões: uma liderança de mais de 28% do mercado. No entanto, de acordo com o executivo, esses números podem ser ainda melhores. “Nós aumentamos muito as nossas exportações nos últimos anos. Mas, achamos que podemos expandir um pouco mais nesse mercado”, ressalta.

Além da liderança em caminhões, a Mercedes-Benz do Brasil encerrou o ano de 2018 à frente, também, nas vendas relacionadas aos segmentos de veículos comerciais como ônibus – com um aumento de 24% em relação a 2017 – e Sprinter – com 36% de participação no mercado, em 2018. “Estamos muito próximos dos nossos clientes, principalmente, para entender as suas necessidades e fornecer soluções estratégicas para eles. Buscamos oferecer caminhões e veículos comerciais, cada vez mais conectados, além de outros serviços adicionais. Esses são os nossos principais pilares”, explica Schiemer.

Para os próximos meses, o CEO prevê um investimento ainda maior em tecnologia. De acordo com Schiemer, com o montante de R$ 2,4 bilhões, investidos até 2022, o objetivo agora é oferecer recursos ilimitados e que agreguem valor ao cliente como forma de gerar uma competividade ainda maior. “Podemos ser diferente dos nossos competidores somente se formos eficientes nos nossos processos e rápidos na maneira com que respondemos aos nossos clientes”, afirma. Para o executivo, isso tem relação, principalmente, com o acesso que a Mercedes-Benz tem à tecnologia. “A inovação faz parte do nosso DNA. Poucos concorrentes têm isso como nós temos. Somos muito arrojados ao lançar novas e avançadas tecnologias no mercado como instrumento de trabalho. Mostramos ao mundo uma nova forma de conectividade e de transporte de pessoas e cargas”, assegura.

Além da reestruturação da companhia, com adoção de tecnologias 4.0 em suas fábricas e aperfeiçoamento de processos e de serviços, Schiemer também avalia a importância da renovação da marca e de seus investimentos no que se refere à questão motivacional de seus funcionários. “Você precisa de pessoas 100% comprometidas com a empresa. Por isso mesmo, a comunicação é algo tão importante, pois só por meio da transparência é que eles sabem o que está acontecendo e podem se sentir parte relevante desse processo. Nossos funcionários estão motivados com a Mercedes-Benz e estão orgulhosos em ser parte da marca”, revela.

O FUTURO DO MERCADO

Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, Schiemer confia na capacidade do mercado brasileiro, principalmente pela vantagem competitiva que o país possui frente aos demais. “As pessoas confiam na nossa marca e isso é muito importante para nós. Além disso, temos concessionárias presentes por todo o país, o que é uma vantagem bastante importante para os nossos clientes, principalmente, em termos de logística”, ressalta.

Schiemer acredita, ainda, que o mercado necessita de estabilidade, principalmente política, para voltar a crescer e usufruir das possibilidades do setor automobilístico. Nesse sentido, uma das apostas do executivo seria na renovação da frota de caminhões que o país possui, já que ela é bastante antiga. “Continuamos achando que o potencial de mercado é muito grande, tanto para ônibus, caminhões quanto para veículos comerciais em geral. O Brasil é um país em desenvolvimento e está rapidamente adotando novas tecnologias. Queremos crescer e ficar por mais 60 anos por aqui, porque a demanda dos clientes pode sim aumentar”, finaliza.

By |2019-06-09T17:52:15+00:00June 9th, 2019|ENTREVISTAS|0 Comments

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